Estudos revelam: salve os dentes, evite os implantes


Estudiosos da Harvard University e do Ramban Health Center Care, de Israel, publicaram no importante Journal of the American Dental Association, na edição de outubro último, uma revisão sistemática da literatura, focada na comparação da sobrevivência de implantes dentários em oposição a dentes naturais tratados e mantidos corretamente. Foram incluídos somente estudos com acompanhamento de 15 anos ou mais, e que também contivessem cinco ou mais casos.

 

Concluiu-se que nesse período de tempo foram perdidos de 4% a 13% dos dentes, e de 0% a 33% dos implantes. De acordo com o pesquisador líder, Liran Levin, infelizmente, está existindo uma crescente tendência a extrair dentes bons e absolutamente recuperáveis, para substituí-los por implantes dentários. Ele afirma que a revisão dos dados disponíveis indica, enfaticamente, que a preservação dos dentes naturais por meio dos tratamentos convencionais e do tratamento periodontal (da doença gengival) e endodôntico (do canal, quando necessário), com um programa de manutenção de saúde frequente, dará resultados iguais e até melhores a longo prazo – sem a necessidade da colocação de implantes. Levin concluiu que todos os tipos de tratamento devem ser considerados antes de optar-se por extrações e colocação de implantes.

 

Outros autores, da conceituada Pennsylvania University, publicaram no Journal of Dental Research, em janeiro de 2014, uma nova revisão crítica da literatura, na qual confirmaram que dentes, mesmo quando com tratamento de canal ou tratamento periodontal, excederam a expectativa de vida dos implantes em uma observação de dez anos. Afirmaram também que existe realmente essa tendência para a extração de dentes e colocação de implantes, e concluíram que “isso não é sempre simples ou ético”.

 

No Brasil, existe também essa tendência e é bastante forte, segundo Julio Cezar Sá Ferreira, presidente fundador da Academia Brasileira de Osseointegração. Sá Ferreira diz que “é importante notar que os implantes são excelentes na substituição, na reposição dos dentes que já foram perdidos. Eles mudaram a Odontologia profundamente, mas o fato de estarem disponíveis não deve ser a razão de extrair dentes, em vez de tratá-los corretamente. E quanto menos idade tiver o paciente, maior a prudência visando o longo prazo”.

 

Sá Ferreira afirma que “nosso papel como profissionais da Odontologia é tratar os dentes, não extraí-los e substituí-los por outra coisa. Primeiro, temos que garantir um tratamento correto da doença gengival ou periodontal (a razão número um das extrações dentárias na população adulta) e, quando necessário, deve-se tratar o canal do dente, pois a literatura tem demonstrado nos últimos 20 anos o altíssimo sucesso desse procedimento. A partir daí, deve-se então reavaliar quais dentes absolutamente não valem a pena serem mantidos e devem ser substituídos por implantes. Realizado isto, é preponderante manter os dentes e implantes em uma condição saudável e estável, sabendo ainda que mesmo os implantes podem ter a doença das gengivas e serem perdidos, caso não haja uma manutenção de saúde frequente”.

 

Sá Ferreira diz que “uma avaliação cautelosa, com prioridade na preservação da dentição natural, resultará positivamente em uma Odontologia melhor e mais ética. A ciência médica não pode ser produtora nem refém de modismos”.

 

E finaliza, afirmando que os pacientes devem fazer sua parte higienizando os dentes corretamente e cumprindo com suas visitas periódicas ao dentista, para prevenir o aparecimento de doença e da perda dos dentes ou dos implantes.

 

 

fonte: www.inpn.com.br