E você, o que acha, é mutação ou evolução?


Jean-Baptiste Lamarck foi um biólogo francês muito importante. Sua teoria da evolução das espécies pregava, entre outras coisas, esta linha de pensamento das frases entre aspas acima: a Lei do uso e desuso. Se você não usasse algum órgão ou parte do seu corpo, ele atrofiaria e esta característica atrofiada passaria para a próxima geração. O exemplo mais conhecido é a da evolução do pescoço da girafa. Lamarck afirmava que por precisar alcançar as folhas mais altas das árvores, o pescoço da girafa foi crescendo de geração para geração até vermos as girafas de pescoço longo que vemos hoje. Atualmente, a teoria da evolução de  Charles Darwin somada às descobertas da genética refutaram a teoria de Lamarck.
 
Seguindo a teoria de Darwin (mais aceita na atualidade), da seleção natural, sabemos que o ambiente selecionou as girafas de pescoço longo, isto é, o tipo de girafa mais adaptado sobrevive até hoje, enquanto que as girafas de pescoço pequeno ou menor foram extintas em certa parte da escala evolutiva.
 
A ciência é espetacular exatamente por causa disso: ela mesmo pode ser provada errada, à qualquer momento. Hoje, parecemos estar no pico de nossa evolução tecnológica e científica, mas muita coisa que temos como verdade pode ser considerado bobagem no futuro, por alguma nova teoria. Porém, por que continuamos contando a história do dente do siso como se estivéssemos aceitando uma teoria que já foi refutada?
 
A explicação de que o siso está sumindo por causa do desuso é simplista demais e errada. Na época das cavernas, um 3º molar (dente do siso) ou até um 4º molar eram necessários para triturar os alimentos duros que o ser humano consumia. Sabemos que hoje, com a nossa comida industrializada (que não traz grandes esforços para nossa musculatura de mastigação), o dente do siso está perdendo seu espaço na arcada. Somado à outro fator: o uso de mamadeira ao invés da amamentação direta no seio materno pode causar um menor desenvolvimento ósseo e muscular da boca, diminuindo o tamanho da sua arcada! Aí vemos o porquê da falta de espaço para erupção do siso e a necessidade de extração deste dente.
 
Se fôssemos pensar como Lamarck, os filhos de quem teve o dente do siso extraído, nasceriam sem este dente já, não é? Sabemos que não é assim que as coisas acontecem. Porém, há pessoas que não tem dente do siso e atribuímos isso à evolução da espécie humana. Na verdade, isso é uma mutação ou algum problema nos mecanismos que determinam a formação do dente do siso, mas que não pode ser chamada de evolução. Pelo menos com o que sabemos hoje.
 
O dente do siso vai deixar de existir algum dia? Segundo a teoria da seleção natural, isso só vai acontecer se as pessoas sem o dente do siso provem ser mais adaptadas do que pessoas que tem o bendito dente. Ninguém aqui vai viver para ver isso acontecer, pois esse tipo de seleção natural leva muito tempo (este Post “viverá” na Internet e quem sabe um dia, no futuro, alguém comente aí embaixo: o dente do siso finalmente desapareceu!) 
 
O que quero mostrar com este Post é que muitas vezes aceitamos uma informação como correta, sem mesmo entender o porquê dela. Então, de agora em diante, podemos explicar melhor aos nossos pacientes os porquês que envolvem o dente do siso. E outra: não estou querendo ser o dono da verdade! Este Blog está aberto para discussões, portanto comentem!
 
Mas antes leiam este artigo inteligentíssimo e muito bem escrito (com fontes bibliográficas, inclusive) que serviu de base para o este post http://genereporter.blogspot.com/2011/03/como-e-que-e-dentes-do-siso-estao.html
 
Conclusão do Artigo acima que responde à pergunta do título: “Assim, a hipótese de que há uma tendência evolutiva para o desaparecimento do siso é tentadora, mas falta uma base fatual maior a sustentá-la. Em termos perspectivos, é difícil cravar que haverá uma tendência ao desaparecimento – mesmo se estivermos certos de que hoje a presença do terceiro molar seja desvantajoso, isso porque não sabemos como será o futuro“.
 
Fonte: Dicas Odonto - Luiz Rodolfo