Diabetes e Fumo


Atender pacientes que oferecem risco à osseointegração dos implantes é sempre um desafio na clínica diária. Os grupos que mais causam temor a nós implantodontistas são os diabéticos não controlados e os fumantes pesados. Esses pacientes, além de poderem ter problemas na osseointegração, também são mais susceptíveis a desenvolver uma peri-implantite. Dessa forma, mesmo que tenhamos sucesso na osseointegração, poderemos ter problemas futuros com perdas ósseas peri-implantares.  A pergunta é: como criar um protocolo para atender esse tipo de pacientes?

 

 

Os mais radicais podem achar um caminho seguro que é simplesmente não realizar qualquer tipo de atendimento em pacientes que tem a diabetes descontrolada ou que são fumantes pesados. Acredito ser essa uma conduta bastante responsável, até porque não podemos assumir tamanho risco. Outros colegas falam que realizam o tratamento e transferem a responsabilidade toda para o paciente. Ou seja: se ele não controlar esses indicadores de risco e perder os implantes a responsabilidade não é do dentista. Ainda existe um terceiro grupo que procura dividir as responsabilidades meio a meio. Cada um faz a sua parte e, se não der certo, os prejuízos são divididos.

 

 

O problema é saber com certeza quando o paciente está descompensado e quantos cigarros são necessários para identificarmos um fumante pesado.  Obviamente que através de uma glicemia iremos identificar o diabético. No entanto, um tratamento com implantes pode durar muitos meses ou anos. Imaginem vocês se estamos frente a um paciente que necessita de enxertos prévios a colocação das fixações. Vamos necessitar de pelo menos quatro meses até que possamos colocar os implantes e, no mínimo, mais uns quatro para ativar os mesmos com a prótese. Assim, o tratamento durou, na melhor das hipóteses, uns oito meses. Será que o nosso paciente controlou a sua diabetes durante todo esse tempo?

 

 

Em se tratando dos fumantes, a situação pode ainda ser mais delicada. Como poderemos ter certeza de que a informação do paciente é realmente verdadeira? A maioria dos seres humanos que possuem vícios não assume essa posição. Assim, muitos fumam duas a três carteiras, mas falam que fumam apenas uma ou metade de um maço. Outros nem sabem exatamente quantos cigarros fumam e por aí vai. Na verdade, não temos condições de afirmar com certeza se um paciente é ou não um fumante pesado, a não ser pelo estado de sua saúde geral e bucal ou pela confiança nas informações que o cliente está nos repassando.

 

 

Controlar o fumo e o diabetes não é uma questão de conduta e sim de responsabilidade. Não há como fazer um meio termo. Ou você é fumante ou não é. Ou você tem diabetes ou não tem. Não existe jeitinho ou uma terceira via. Esse tipo de paciente só poderá receber implantes quando esses indicadores de risco estiverem controlados. Mesmo sabendo que é difícil controlar, não podemos fazer vista grossa. Não é questão de negar o atendimento, mas sim proteger muito mais o cliente do que a nós mesmos.

 

 

fonte: www.inpn.com.br