Carnaval: saiba como se proteger da doença do beijo


Mais comum entre jovens adultos de 15 a 25 anos, a mononucleose infecciosa é comum em quem costuma “ficar” com várias pessoas, pois é transmitida pela saliva.

A mononucleose infecciosa, conhecida também como doença do beijo, é uma infecção causada pelo vírus Epstein-Barr (EBV) e transmitida pela saliva. Ela ganhou esse nome popular por apresentar uma incidência maior em adolescentes e jovens adultos entre 15 e 25 anos que estão mais acostumados a “ficar” com diversas pessoas, e por isso, em épocas como o carnaval, seu risco de contágio aumenta muito. 

Mas então, como é possível pular carnaval tranquilo e ficar longe desse perigo? Karem Ortega, professora de Patologia Bucal da Faculdade de Odontologia da USP, é bem direta e incisiva. “Diminuir a quantidade de parceiros pode diminuir as chances de contrair o vírus”, diz. 

Porém, embora o beijo seja a forma mais comum de se contrair o vírus, não é o único meio de contágio. “O ideal seria evitar qualquer tipo de contato direto com a saliva de outras pessoas. Por isso, evite compartilhartalheres ou copos de outras pessoas, por exemplo”, diz a especialista. Portanto, aí está outra boa dica para se proteger nesse carnaval; evite beber no mesmo copo de seus amigos ou parceiros.

O poder de contágio da mononucleose é tão grande que até gotículas de saliva lançadas durante uma conversa ou em uma tossida podem causar a transmissão da doença. 

Você pode ter o vírus e nem sabe
Estima-se que 80% da população adulta já contraiu o vírus em algum momento, mas em apenas 10% ele se manifestou, assim como acontece com o vírus do herpes. Dentre esses 10% que apresentam sintomas, pode-se encontrar, com bem menos frequência, crianças. “As com menos de quatro anos costumam apresentar febre, aumento dos gânglios linfáticos, dor de garganta, aumento do baço e do fígado, rinite e tosse”, diz Karem. Já os jovens adultos começam a apresentar a doença com fadiga, mal estar e falta de apetite, e só depois, os sintomas citados acima aparecem. 

Tratamento
Não há tratamento específico para o vírus, mas para os sintomas que ele causa no organismo. “Por exemplo, se a pessoa apresenta febre são administrados antitérmicos, se apresenta dores de garganta, anti-inflamatórios, e assim por diante. Na verdade, o próprio organismo consegue produzir anticorpos para controlar a proliferação do EBV, mas não consegue eliminá-lo totalmente. Assim, mesmo depois que a pessoa esteja curada dos sintomas, ela continua carregando o vírus e, eventualmente, pode transmiti-lo para outras pessoas, o que torna seu controle bem difícil”, diz Karem.  

Fora isso, é preciso ter paciência, pois o EBV vai embora sozinho e costuma ter um ciclo de 10 a 15 dias. Depois desse período, os sintomas costumam aliviar bastante. 

Fonte: Terra